Estilo de liderança e perfil DISC: como ampliar seu repertório

Neste artigo
- Qual é a relação entre estilo de liderança e perfil DISC?
- Quais são os seis estilos de liderança de Goleman?
- O que é a Liderança Situacional de Hersey e Blanchard?
- Como o perfil DISC ajuda a escolher o estilo certo?
- Como ampliar seu repertório de estilos de liderança?
- Perguntas frequentes
- Próximo passo
- Fontes
Todo líder tem um jeito "de fábrica" de conduzir pessoas. Alguns cobram resultado com firmeza, outros motivam pelo entusiasmo, outros sustentam o time com paciência e há quem lidere pela precisão. A relação entre estilo de liderança e perfil é real: o seu perfil DISC indica para onde você tende a ir quando não está pensando nisso. O problema começa quando esse estilo natural vira o único que você usa.
Qual é a relação entre estilo de liderança e perfil DISC?
Estilo de liderança é o padrão de comportamentos que um líder usa para orientar, motivar e cobrar sua equipe. O perfil DISC, por sua vez, descreve as tendências de comportamento de uma pessoa em quatro fatores: Dominância, Influência, Estabilidade e Conformidade (às vezes chamada de Cautela), apresentados em os 4 perfis DISC.
A relação entre os dois é de tendência, não de determinação. Um líder com Dominância alta tende a decidir rápido e cobrar resultado; isso não o impede de aprender a ouvir e desenvolver pessoas. O perfil descreve o ponto de partida, e o repertório é construído com prática.
Quais são os seis estilos de liderança de Goleman?
Os seis estilos de liderança descritos por Daniel Goleman são coercitivo, visionário (chamado no original de "authoritative"), afiliativo, democrático, modelador (pacesetting) e coaching. Eles aparecem no artigo Leadership That Gets Results, publicado na Harvard Business Review em 2000.
Segundo Goleman, o artigo se baseia em pesquisa da consultoria Hay/McBer com uma amostra aleatória de 3.871 executivos, extraída de uma base de mais de 20 mil. Três achados são especialmente úteis:
- O clima organizacional responde por quase um terço dos resultados, segundo o artigo.
- O estilo visionário foi o que teve o efeito mais positivo sobre o clima; os estilos coercitivo e modelador tiveram efeito negativo no geral.
- Líderes que dominam quatro ou mais estilos, em especial o visionário, o democrático, o afiliativo e o coaching, apresentaram o melhor clima e o melhor desempenho.
Goleman resume que os líderes com melhores resultados não dependem de um único estilo e usam a maioria deles ao longo de uma mesma semana.
Como cada perfil DISC se relaciona com os estilos de Goleman?
A tabela abaixo mostra uma leitura prática, não uma regra. Ela indica para onde cada fator tende a puxar e o que costuma exigir mais esforço.
| Fator DISC em destaque | Estilos que tendem a ser naturais | Estilos que costumam exigir desenvolvimento | Risco quando exagera |
|---|---|---|---|
| Dominância (D) | Coercitivo, modelador, visionário | Afiliativo, democrático, coaching | Pressão constante e pouca escuta |
| Influência (I) | Visionário, afiliativo, democrático | Coercitivo quando necessário, modelador | Promessas sem acompanhamento |
| Estabilidade (S) | Afiliativo, democrático, coaching | Coercitivo, visionário em mudanças rápidas | Evitar conversas difíceis |
| Conformidade (C) | Modelador, coaching técnico | Afiliativo, visionário | Microgestão e excesso de controle |
Repare que dois estilos com efeito negativo no clima, o coercitivo e o modelador, aparecem como naturais para perfis com D e C altos. Isso não torna esses líderes piores. Indica onde está o risco de exagero quando estão sob pressão.
O que é a Liderança Situacional de Hersey e Blanchard?
Liderança Situacional é o modelo que propõe ajustar o comportamento do líder ao nível de preparo do liderado para uma tarefa específica. Paul Hersey e Ken Blanchard apresentaram a ideia em 1969, com o nome de "Life Cycle Theory of Leadership", no Training and Development Journal.
O modelo combina dois eixos, comportamento de tarefa (direção) e comportamento de relacionamento (apoio), e forma quatro estilos:
- Determinar (S1): muita direção e pouco apoio, para quem ainda não sabe fazer.
- Persuadir ou orientar (S2): muita direção e muito apoio, para quem está aprendendo e oscila na confiança.
- Compartilhar ou apoiar (S3): pouca direção e muito apoio, para quem sabe fazer mas ainda se sente inseguro.
- Delegar (S4): pouca direção e pouco apoio, para quem sabe e está confiante.
A ideia central é que o mesmo liderado pode precisar de estilos diferentes em tarefas diferentes.
O que a pesquisa diz sobre a Liderança Situacional?
A evidência é mista. Um estudo de Geir Thompson e Robert Vecchio publicado em 2009 na The Leadership Quarterly, com 357 funcionários e 80 supervisores de dez instituições financeiras norueguesas, concluiu que a versão revisada da teoria previa desempenho e atitudes pior do que a versão original. Os autores viram algum potencial no princípio de ajustar autonomia à experiência do liderado, mas com poder explicativo limitado.
Na prática, o modelo continua útil como lembrete de que liderar não é aplicar o mesmo tratamento a todos. Só não deve ser vendido como fórmula comprovada.
Como o perfil DISC ajuda a escolher o estilo certo?
O perfil DISC ajuda de duas formas: mostra o seu estilo padrão e mostra o que cada liderado tende a precisar.
Do lado do líder, o autoconhecimento revela o que você usa em excesso. Um líder com D alto que entende isso passa a perceber quando está sendo coercitivo sem necessidade. A base desse trabalho é o autoconhecimento no trabalho.
Do lado do liderado, o perfil sinaliza como a pessoa recebe direção e apoio:
- Pessoas com D alto tendem a preferir autonomia e metas claras; direção excessiva gera atrito.
- Pessoas com I alto tendem a responder bem a reconhecimento e contato; distância prolongada desmotiva.
- Pessoas com S alto tendem a valorizar previsibilidade; mudanças bruscas pedem mais apoio.
- Pessoas com C alto tendem a querer critérios e informação; ordens vagas geram insegurança.
Essas leituras orientam ajustes na comunicação com cada perfil e também na forma de dar feedback para cada perfil DISC.
Nos dez anos em que fui sócio gestor no Grupo Madero, liderei mais de 400 pessoas em mais de 30 unidades, com liderados em momentos de carreira muito diferentes. É exatamente esse tipo de variação que a Liderança Situacional tenta endereçar.
Como ampliar seu repertório de estilos de liderança?
Para ampliar o repertório, escolha um estilo pouco usado, pratique em situações de baixo risco e peça retorno. Um roteiro simples:
- Mapeie seu estilo padrão. Um laudo como o do Discfy mostra seu DISC natural e o adaptado, além de padrões sob pressão, o que ajuda a ver para onde você corre quando o dia aperta.
- Escolha um estilo por vez. Se você é naturalmente modelador, pratique o coaching em uma conversa por semana.
- Defina gatilhos. Por exemplo: "diante de alguém novo na função, começo com mais direção"; "diante de alguém experiente e seguro, delego".
- Peça retorno à equipe. Pergunte o que ajudou e o que atrapalhou.
- Revise em 30 dias. Compare o que você planejou com o que realmente fez.
Perguntas frequentes
Qual perfil DISC é melhor para liderar?
Nenhum perfil é melhor para liderar. Cada perfil favorece alguns estilos e exige esforço em outros. Segundo Goleman (2000), os melhores resultados vêm de líderes que usam vários estilos, e não de um perfil específico.
Uma pessoa com perfil estável pode ser uma boa líder?
Sim. Pessoas com Estabilidade alta tendem a ter facilidade com estilos afiliativo, democrático e coaching, que Goleman associa a clima positivo. O ponto de atenção costuma ser a firmeza em mudanças rápidas e conversas difíceis.
Liderança Situacional funciona mesmo?
É um modelo útil para lembrar que cada pessoa precisa de direção e apoio diferentes, mas a evidência científica é mista. O estudo de Thompson e Vecchio (2009) encontrou suporte limitado para as previsões da teoria.
É possível mudar o próprio estilo de liderança?
Sim, com prática deliberada. O perfil natural tende a ser estável, mas o comportamento pode ser ampliado. O caminho é escolher um estilo por vez, praticar e pedir retorno da equipe.
Próximo passo
Conhecer o próprio perfil é o primeiro passo para liderar com mais repertório. Você pode ver um laudo de exemplo ou fazer a sua avaliação e usar o plano de desenvolvimento de 30, 60 e 90 dias para praticar novos estilos.
Fontes
- Goleman, D. (2000). Leadership That Gets Results. Harvard Business Review, março-abril de 2000. hbr.org/2000/03/leadership-that-gets-results
- Hersey, P.; Blanchard, K. H. (1969). Life Cycle Theory of Leadership. Training and Development Journal, 23, 26-34. eric.ed.gov/?id=EJ004286
- Thompson, G.; Vecchio, R. P. (2009). Situational leadership theory: A test of three versions. The Leadership Quarterly, 20(5), 837-848. www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1048984309001507
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Weslei Preisner é especialista e analista de perfil comportamental. Foi por 10 anos sócio gestor no Grupo Madero, onde liderou mais de 400 pessoas em 5 estados e mais de 30 unidades. É formado em tecnologia pela UFSC, certificado em Business Coaching pela ML5/Florida Christian University e coach pela Febracis. É cofundador da Skill-Hub e criador do Discfy.



