Equipes

Equipe com perfis complementares: como montar e por que funciona

Weslei Preisner
· 7 min de leitura
Ilustração de quatro peças de quebra-cabeça nas cores do DISC se encaixando entre duas pessoas comemorando
Equipes fortes combinam formas diferentes de contribuir, não talentos idênticos.
Neste artigo
  1. O que é uma equipe com perfis complementares?
  2. O que a pesquisa de Belbin descobriu sobre equipes?
  3. Por que a composição da equipe importa menos do que parece?
  4. Como os perfis DISC se complementam na prática?
  5. Como montar uma equipe com perfis complementares?
  6. Quais erros evitar ao usar perfis na composição de equipes?
  7. Perguntas frequentes
  8. Próximo passo
  9. Fontes

Quem já montou um time conhece a tentação de contratar gente parecida com quem já dá certo. O resultado costuma ser uma equipe com os mesmos pontos fortes e os mesmos pontos cegos. Uma equipe com perfis complementares segue o caminho oposto: combina pessoas que contribuem de formas diferentes para que o grupo cubra o que nenhum indivíduo cobre sozinho.

O que é uma equipe com perfis complementares?

Uma equipe com perfis complementares é um grupo em que as tendências de comportamento dos membros se equilibram: onde uma pessoa acelera, outra verifica; onde uma abre portas, outra garante a entrega. Complementar não significa "ter um de cada" por obrigação. Significa que as demandas do trabalho encontram, dentro do time, alguém com preferência natural por atendê-las.

No modelo DISC, essas preferências aparecem em quatro fatores, explicados em detalhe no post sobre os 4 perfis DISC:

  • Dominância (D): foco em resultado, decisão rápida, gosto por desafio.
  • Influência (I): foco em pessoas, comunicação, entusiasmo e persuasão.
  • Estabilidade (S): foco em constância, cooperação e ritmo sustentável.
  • Conformidade (C): foco em precisão, regras e qualidade. Algumas fontes chamam este fator de Cautela.

Vale lembrar que o DISC descreve tendências, não capacidade nem caráter. Ninguém é "um perfil só": cada pessoa tem uma combinação dos quatro fatores, com intensidades relativas.

O que a pesquisa de Belbin descobriu sobre equipes?

A principal descoberta de Meredith Belbin foi que equipes eficazes dependem de um equilíbrio de papéis, e não da soma de talentos individuais. Segundo a organização que mantém o trabalho de Belbin, a pesquisa foi conduzida no Henley Management College durante a década de 1970, com equipes disputando um jogo de simulação de negócios, e resultou no livro Management Teams: Why They Succeed or Fail, publicado pela primeira vez em 1981.

O efeito Apollo: quando só há estrelas

O achado mais citado é o das chamadas "equipes Apollo". Segundo o material publicado pela própria Belbin, times compostos por pessoas altamente inteligentes e capazes frequentemente tinham desempenho ruim nas simulações. Os membros competiam para provar quem era o mais esperto, tinham dificuldade de formar uma estratégia comum e, quando algo dava errado, tendiam a buscar culpados em vez de soluções.

Os nove papéis de equipe

Belbin descreveu nove papéis, agrupados em três famílias. O papel de Especialista foi acrescentado depois, porque a simulação original não exigia conhecimento técnico prévio.

FamíliaPapéis de BelbinContribuição típica
AçãoModelador (Shaper), Implementador, Finalizador (Completer Finisher)Dar ritmo, transformar ideias em plano, revisar detalhes
SocialCoordenador, Investigador de Recursos, Trabalhador de Equipe (Teamworker)Organizar pessoas, buscar contatos e oportunidades, manter a coesão
PensamentoSemeador (Plant), Monitor Avaliador, EspecialistaGerar ideias, avaliar opções com frieza, trazer conhecimento técnico

A própria Belbin ressalta que seu modelo mede comportamento, não personalidade, e que o comportamento pode mudar conforme a função, os colegas e o ambiente. É a mesma lógica do DISC: estamos falando de como a pessoa tende a agir, não de quem ela "é".

Por que a composição da equipe importa menos do que parece?

A composição importa, mas o funcionamento importa mais. Segundo o guia de eficácia de equipes do Google (re:Work), o Project Aristotle analisou 180 equipes, sendo 115 de engenharia e 65 de vendas, e concluiu que o que mais pesava era menos quem estava na equipe e mais como ela trabalhava junta.

Entre as variáveis que, segundo o Google, não tiveram relação significativa com a eficácia estavam o nível de extroversão dos membros, o desempenho individual, a senioridade e o tamanho da equipe. Os cinco fatores que apareceram, em ordem de importância, foram segurança psicológica, confiabilidade, estrutura e clareza, significado e impacto.

Um estudo publicado na revista Science em 2010 por Anita Woolley e colegas aponta na mesma direção. Com 699 pessoas divididas em 192 grupos, os autores encontraram um fator de "inteligência coletiva" que se associava à sensibilidade social dos membros e à distribuição equilibrada dos turnos de fala, e apenas moderadamente à inteligência individual.

Traduzindo: perfis complementares criam potencial. Esse potencial só vira resultado quando as diferenças podem aparecer sem punição e quando todos têm espaço para falar.

Como os perfis DISC se complementam na prática?

Os perfis DISC se complementam porque cada fator cobre uma necessidade que os outros tendem a negligenciar. A tabela abaixo resume as trocas mais comuns.

FatorO que traz para a equipeO que tende a faltarQuem costuma equilibrar
DDecisão, senso de urgência, coragem para mudarPaciência com processo e escutaS e C
IEnergia, conexão, venda de ideiasAtenção a detalhe e continuidadeC e S
SConstância, apoio, estabilidade do timeVelocidade diante de mudançaD e I
CQualidade, análise, controle de riscoAgilidade e exposiçãoI e D

Complementar não é garantir harmonia: um D e um C na mesma mesa vão discordar sobre prazo e qualidade, e essa tensão protege o trabalho. O equilíbrio ideal também depende da missão.

Como montar uma equipe com perfis complementares?

Para montar uma equipe com perfis complementares, comece pelas demandas do trabalho e só depois olhe para os perfis. O caminho abaixo funciona para equipes novas e para times que já existem.

  1. Liste as demandas da função. Quanto do trabalho é decidir, negociar, sustentar rotinas ou garantir conformidade?
  2. Mapeie o time atual. Um laudo comportamental mostra as tendências de cada pessoa. No Discfy, por exemplo, o laudo traz o DISC natural e o adaptado, o que ajuda a separar preferência real de esforço de adaptação ao cargo.
  3. Identifique lacunas e excessos. Cinco pessoas com D alto e ninguém com C alto é um sinal de risco em prazos e qualidade. O contrário pode indicar lentidão para decidir.
  4. Distribua papéis explicitamente. Diga quem questiona riscos, quem cuida da comunicação e quem fecha a revisão final.
  5. Crie regras de convivência. Combine como as discordâncias serão tratadas. Diferença sem regra vira conflito pessoal.
  6. Revise a cada mudança relevante. Saída de alguém, nova meta ou nova área mudam o equilíbrio.

Nos dez anos em que fui sócio gestor no Grupo Madero, liderei mais de 400 pessoas em mais de 30 unidades. Em estruturas com muitas equipes, o desenho de cada uma precisa acompanhar o que aquela operação exige no momento. Esse raciocínio conversa com o princípio de colocar pessoas certas nos lugares certos.

Quais erros evitar ao usar perfis na composição de equipes?

O erro mais grave é transformar o perfil em rótulo ou em filtro. Outros erros frequentes:

  • Contratar só pelo perfil. O perfil não mede competência técnica, inteligência nem caráter. Use como uma informação entre várias.
  • Ignorar o perfil adaptado. Se alguém está atuando muito longe do natural por muito tempo, isso cobra um preço em energia.
  • Não conversar sobre os perfis. Trabalhar os pontos cegos comportamentais em grupo acelera esse entendimento.

Perguntas frequentes

Qual é a melhor combinação de perfis DISC para uma equipe?

Não existe uma combinação única. A melhor composição é a que cobre as demandas do trabalho: uma equipe de vendas pede mais Influência e Dominância, enquanto uma equipe de qualidade pede mais Conformidade. O importante é não deixar nenhuma necessidade crítica sem cobertura.

Uma equipe com perfis parecidos pode dar certo?

Pode, especialmente em tarefas muito homogêneas. O risco é que todos compartilhem os mesmos pontos cegos. A pesquisa de Belbin sobre as equipes Apollo mostrou que times de pessoas muito capazes e semelhantes podem render abaixo do esperado.

Os papéis de Belbin e os perfis DISC são a mesma coisa?

Não. Os papéis de Belbin descrevem contribuições dentro de uma equipe, e o DISC descreve tendências de comportamento individual. Os dois modelos se conversam, porque ambos tratam de comportamento observável e não de personalidade fixa.

Perfis diferentes geram mais conflito?

Geram mais atrito de ideias, o que tende a ser saudável quando existe segurança psicológica. Por isso, regras claras de convivência são essenciais.

Próximo passo

Se você quer ver como os perfis do seu time se distribuem, o laudo do Discfy leva cerca de 15 minutos por pessoa e traz DISC natural e adaptado, competências e ambientes de aderência. Você pode ver um laudo de exemplo ou começar a avaliação da sua equipe.

Fontes

Análise de perfil comportamental

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Weslei Preisner

Especialista e analista de perfil comportamental

Weslei Preisner é especialista e analista de perfil comportamental. Foi por 10 anos sócio gestor no Grupo Madero, onde liderou mais de 400 pessoas em 5 estados e mais de 30 unidades. É formado em tecnologia pela UFSC, certificado em Business Coaching pela ML5/Florida Christian University e coach pela Febracis. É cofundador da Skill-Hub e criador do Discfy.